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quarta-feira , 18 maio 2022
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Operação Raio X: médico investigado por esquema de desvio de verba da Saúde é preso em Birigui

O médico Lauro Henrique Fusco Marinho foi preso nesta segunda-feira (7), em Birigui (SP), após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a liminar que permitia prisão domiciliar. Ele era investigado por integrar o grupo suspeito de desviar recursos da Saúde das prefeituras de Araçatuba e Birigui por meio de organizações sociais.

A Operação Raio X, deflagrada em 2020, denunciou cerca de 70 pessoas pela prática dos crimes de organização criminosa, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude à licitação, atribuindo a cada um dos denunciados o tipo penal caracterizado por sua atuação.

Lauro foi preso em casa, onde estava acompanhado do irmão. Ele foi encaminhado ao Plantão Policial de Araçatuba e, segundo a polícia, deve ser encaminhado à cadeia no fim da tarde desta segunda-feira.

O médico, que havia sido preso em setembro de 2020, foi solto em abril deste ano com o também médico Cleudson Montali, apontado pela promotoria como líder da mesma organização criminosa, por uma liminar concedida por Gilmar Mendes, ministro do STF.

No dia 11 de maio, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas casas de Lauro e do irmão dele para reunir elementos que auxiliassem na investigação de documentos apresentados por médicos presos na operação.

No dia 10 de maio, o STF havia ordenado que um novo exame de saúde fosse feito em Lauro após investigações apontarem que o laudo que alegava problemas de saúde apresentado por Cleudson era falso.

TV TEM entrou em contato com a defesa de Lauro, mas não obteve retorno. Já a defesa de Cleudson Montali informou que ele voltou para a prisão, mas alega que o médico é inocente.

Médico Cleudson Garcia Montali na delegacia de Araçatuba (SP) neste domingo (2) — Foto: Lázaro Jr.

Comando do esquema

Investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil apontaram que a organização criminosa era liderada pelo médico Cleudson Garcia Montali. O anestesista, que foi diretor em várias unidades de saúde, chegou a ser homenageado com o título de cidadão Emérito nos municípios de Birigui e Agudos (SP).

Por meio da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, Cleudson Montali celebrou contratos de gestão mediante licitações fraudulentas com o poder público para administrar a saúde de diversos municípios e desviando parte do dinheiro repassado por força do contrato de gestão às referidas Organizações Sociais.

Com a ajuda de políticos, quadrilha gastou milhões desviados do combate à Covid

As investigações descobriram um esquema de desvio de dinheiro público sofisticado por meio de contratos de gestão não apenas no município de Birigui, mas em diversos municípios do estado de São Paulo e também em outros estados.

Segundo o G1 apurou, a organização criminosa, mediante acordos previamente firmados com as prestadoras de serviços contratadas, desviou grande parte das quantias repassadas às Organizações Sociais, ora por meio de superfaturamentos, ora por meio de serviços não executados, sempre mediante emissão de notas frias.

Os atos criminosos ocorreram de maneira reiterada, sendo que parte do dinheiro desviado foi objeto de lavagem de dinheiro. Além dos crimes citados, as investigações apontaram também que os alvos da operação teriam praticado crimes de corrupção ativa e passiva, além de falsidades ideológicas.

Dinheiro apreendido durante a operação Raio X — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Investigação

A investigação, que durou dois anos e culminou com a prisão de mais de 50 pessoas, apontou que as organizações sociais de Cleudson cresceram rapidamente e fecharam contratos em 27 cidades de quatro estados: Pará, Paraíba, Paraná e São Paulo.

Conforme a investigação, a quadrilha, que tinha a participação de políticos, desviou R$ 500 milhões, que deveriam ter sido investidos em hospitais e no tratamento da Covid-19.

Em muitas das vezes, os políticos estavam envolvidos para ajudar na primeira fase do esquema, o fechamento de contratos com o poder público. Em Agudos, um vereador foi preso suspeito de envolvimento no esquema.

Polícia Civil em frente à Santa Casa de Birigui — Foto: Márcio Zeni/TV TEM

Glauco Luiz Costa (MDB), conhecido como “Batata”, teria recebido R$ 50 mil para votar pela cassação do então prefeito, Altair Francisco Silva (PRB), e influenciar os colegas na votação. A tentativa de afastar o prefeito é por ele ter rompido com o contrato de uma das Organizações Sociais de Cleudson.

Altair foi afastado duas vezes do cargo, mas conseguiu voltar após decisão da Justiça. Outros quatro vereadores da cidade também são investigados.

Segundo as investigações, no complô contra o prefeito, Cleudson conseguiu também que a Câmara de Agudos o homenageasse com o título de “Cidadão Agudense”, em 2019. Na ocasião, Batata discursou e disse que “era uma honra” receber o médico na Casa.

Polícia Civil apreendeu mais de R$ 1 milhão durante operação contra desvio de verba — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Após a reportagem do Fantástico, a Câmara de Agudos votou um pedido de instauração de processo de cassação contra o vereador preso, mas o pedido foi negado por 8 votos a 3.

Outros políticos presos em São Paulo foram o Secretário de Saúde de Penápolis (SP), Wilson Carlos Braz, e o vereador de Birigui José Roberto Merino Garcia, conhecido como Paquinha.

Fonte: G1

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