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terça-feira , 8 setembro 2020
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Setembro Amarelo busca conscientização sobre suicídio

Setembro chegou carregando a marca de mais de 160 dias de quarentena. Desde 2003, 10 de setembro é marcado como o Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio e o mês preenchido por campanhas de conscientização e acolhimento. Em um ano de pandemia, com o isolamento social se estendendo e sem qualquer previsão de retorno à normalidade, a campanha ganha ainda mais força e relevância.

A médica psiquiatra do SanSaúde, Dra. Natalia Luiza Palata Rezende, ressaltou porque a iniciativa é tão importante em 2020. “Um recente artigo discute a situação atual da COVID-19 e, dentro de suas consequências, o possível aumento de suicídio. Quanto mais a doença se espalha, mais efeitos de longo prazo podem ser sentidos em diversas áreas gerando maior impacto com a população considerada vulnerável e, portanto, afetando os índices de comportamento suicida”, afirmou. A pesquisa ainda não foi finalizada, mas já se observou o aumento de casos.

Cuidados no isolamento

Justamente por o suicídio ser resultado do agravamento de doenças relacionadas à saúde mental, todas as limitações impostas pelas medidas adotadas por conta do Coronavírus podem gerar quadros de ansiedade ou depressão que merecem atenção. “O isolamento social influencia as pessoas, pois limita fisicamente e afeta, consequentemente, psicologicamente. Qualquer indivíduo está sujeito, os pacientes psiquiátricos mais ainda, porque são mais sensíveis”, complementou.

Dra. Natalia afirmou que aqueles que possuem transtornos existentes requerem uma atenção especial. “A família precisa observar os sinais como conversas em que demonstra que não vale a pena viver, tristeza. Nestes casos, é fundamental procurar ajuda médica”, frisou.

Ela também fez alerta para estes cenários: ausência de comunicação que se estende no tempo, irritabilidade atípica, alterações no sono – para mais ou para menos – sintomas físicos, como dor no estômago, alteração intestinal, que não se associam a nenhum diagnóstico médico, recusa de ajuda dos amigos, familiares ou até de profissionais.

Por que devemos falar sobre suicídio?

A profissional ressaltou que existem estigmas contra os transtornos mentais. “Há muito tabu. Às vezes, a pessoa está com ideias suicidas, mas fica com receio de pedir ajuda. Se o tema é discutido abertamente, ela se sente mais à vontade de se abrir”, afirmou.

Como ajudar?

Para ajudar uma pessoa com comportamentos suicidas, algumas ações são fundamentais, como:

 – ouvir, demonstrar empatia e ficar calmo;

– ser afetuoso e dar o apoio necessário;

– levar a situação a sério e verificar o grau de risco;

– perguntar sobre tentativas de suicídio ou pensamentos anteriores;

– explorar outras saídas para além do suicídio, identificando outras formas de apoio emocional;

– conversar com a família e amigos imediatamente;

-remover os meios para o suicídio em casos de grande risco;

– contar a outras pessoas, conseguir ajuda;

– permanecer ao lado da pessoa com o transtorno;

– procurar entender os sentimentos da pessoa sem diminuir a importância deles;

– aceitar a queixa da pessoa e ter respeito por seu sofrimento;

– demonstrar preocupação e cuidado constante.

Recursos da comunidade e fontes de apoio

Para pessoas com pensamentos suicidas, os primeiros recursos ou fontes de apoio são:

– família;

– amigos e colegas;

– unidades de saúde: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), clínicas, consultórios psicológicos.

–  profissionais de saúde: médicos, psicólogos, psiquiatras

– centros de apoio emocional: CVV (Centro de Valorização da Vida), ligue para o 188.

– grupos de apoio.

A grande maioria das mortes por suicídios podem ser evitadas e o diálogo sobre o assunto é o melhor jeito de fazer isso. Se você ou alguém que você conhece possui pensamentos negativos, peça ajuda.

 

Fonte: Santa Casa de Votuporanga

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