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domingo , 22 julho 2018
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História de como criar um Brasil desde Praga, mas que poderia ser desde a Rua Paraguai

🌍 Vem viajar e se encantar com a linda história da Michele Fernanda, uma Votuporanguense que criou o ” Saudade – Português como Língua de Herança na República Tcheca”.

➡️“Quando eu era criança, a minha brincadeira favorita era brincar de ser professora. Eu ensinava minhas bonecas, primos, vizinhos, meus pais e até as visitas entravam na brincadeira com aquele charme de criança. Eu escrevia com giz no muro do quintal da minha casa e imaginava um mundo com muitos livros, cadernos e caixinha com 36 lápis de cor. Toda minha infância foi na Rua Paraguai, e naquela época eu nem entendia que Paraguai era um outro país, mas sabia que era um lugar muito interessante porque a vizinha, sempre tinha as canetas e estojinhos mais interessantes e coloridos que já tinha visto!
Foi lá na Rua Paraguai que corria descalça pelas calçadas, jogava volei, bola queimada, batia elástico, subia em árvores, comia goiaba e subia no pé de manga com meu pai. “Ah! Que saudade da minha infância querida que os anos não trazem mais.

A infância acabou e mesmo assim, brincando com minhas bonecas e nunca largando dos meus cadernos, a Rua Paraguai ficou para trás, me casei e literalmente me mudei. A mudança era para ser de apenas um ano, aprimorar o inglês nos EUA, depois virou 2, 5, e hoje já são mais de 12 anos fora do Brasil.
Com um marido alemão, um filho nascido nos EUA e morando atualmente em Praga, na República Tcheca, voltar ao Brasil me parece mais uma história de final de novela das 9. Voltar é sempre um tema difícil para quem já foi e está pelo mundo a fora. Não era isso que nossos pais queriam para gente? Estudar, casar, mudar… Foram muitas as aventuras e novas experiências (ainda é!!). Oportunidades que nunca passaram nem pelos meus sonhos. E quando eu finalmente posso ir visitar a família e parentes que moram perto da Rua Paraguai, percebo que quanto mais tempo eu fico fora do Brasil, mais o Brasil fica dentro de mim.

Quando o meu filho, Marcelo, nasceu eu já tinha um plano: eu falo português, meu marido alemão, e eventualmente ele aprenderia o inglês, já que essa é a língua falada entre eu e meu marido. Mas esse plano surgiu depois de MUITAS leituras e estudos. O bilinguismo era um assunto de interesse de longa data e com a chegada do mais novo integrante da família, mais do que depressa, a professora que finalmente sabia sobre o país do Paraguai e suas canetas inusitadas, mergulhou de cabeça no tema.

Foi aí que um novo mundo surgiu. Cheio de possibilidades e também desafios. Foi aí que eu aprendi que na verdade não bastava só falar português. O meu filho seria criado num ambiente multicultural e só falar não seria o suficiente. Se eu quisesse que ele não só falasse português mas entendesse o significado de todas as aventuras da Rua Paraguai, eu praticamente teria que criar um Brasil fora do Brasil.

E é exatamente isso que tenho feito desde que cheguei em Praga. Antes mesmo de chegar aqui, a minha busca por um projeto que envolvesse a língua portuguesa e tivesse aquele gostinho de goiaba e manga apanhado do pé, era INTENSA. Tudo começou quando eu ainda morava em St. Louis, MO nos EUA. Eu era voluntária do Viva Brasil STL e trabalhava no Museu de História do Missouri. Entre muitas das minhas funções no museu, eu era uma das contadoras de histórias para o programa infantil. Foi nesse período que eu vi através das redes sociais, que a Brazilian Foundation lançava o projeto Reading Bag. Houston também já foi meu lar, e por ter sido voluntária na Brazilian Foundation eu tinha certeza que o projeto seria fantástico!

Contatei a Claudia e iniciamos os emails para trazer o projeto pra St Louis. Infelizmente naquela época, minha gravidez era delicada e aquele Brasil disfarçado em livros que ia chegar em uma sacola e que eu sonhava em trazer pra bem perto foi ficando distante como as memórias da infância.

O desejo de criar o Brasil fora do Brasil virou um sonho distante com a falta de dormir e aqueles primeiros meses sendo mãe de primeira viagem. O Marcelo chorava, as visitas chegavam e fiquei só com o plano: eu falo português e você fala alemão. Não sei se era a falta de dormir ou se era a falta das palavras que me fez extremamente saudosa.

O Marcelo se transformava diante dos meus olhos e a cada dia que passava eu me perguntava como ele iria conhecer tudo sobre a Rua Paraguai? Graças aos avanços tecnológicos, conheci o movimento do PLH (Português como Língua de Herança) e descobri um novo tipo de herança que queria deixar pra ele. Enquanto eu não sabia como o Marcelo iria vivenciar as aventuras da Rua Paraguai, continuei conversando com ele, de todo meu coração, somente em português. Até quando não se fazia necessário.

As palavras começaram a ter um novo gostinho, ora gosto de goiaba ora guacamole. Mergulhei num oceano de leituras e pesquisas sobre o PLH e multilinguismo e antes mesmo de ancorar em Praga, criei a comunidade •Saudade• Português como Língua de Herança na Rep. Tcheca e o grupo Lá vem a história! designado a todas as famílias que falam a língua portuguesa. Além disso, o primeiro encontro de mães brasileiras já estava marcado e um cafezinho extra pra encontrar pessoalmente algumas mães que generosamente se fez disponível após eu as ter contatado num grupo de família do Facebook.

Em apenas 4 meses, o grupo Lá vem a história! realizou 7 encontros com muita poesia, leitura e parlendas na língua portuguesa. Eu realizei por volta de 10 encontros no grupo de mães, inclusive encontros noturnos sem os filhos (Mamães na Night). E tem muito mais vindo por aí! A semente foi plantada, os sonhos são muitos e minha grande inspiração… acabou de aprender a andar. Sigo assim: um passo de cada vez.

Esforço. MUITO esforço é necessário para criar um Brasil fora do Brasil. A minha jornada apenas começou, mas com o olhar no horizonte e muito português, logo o Marcelo estará correndo com pés descalços em direção à Rua Paraguai.”

📚Sobre Michele Fernanda:
Sua paixão pela Educação Infantil não é diferente de ser mochileira, tricotar durante os dias de inverno e uma cozinha cheia de amigos enquanto se compartilha uma boa taça de vinho. Além de dedicar seu tempo com trabalhos voluntários, ela ama todas as formas de papel, viajar de bicicleta e cartas inesperadas na caixinha de correio.

Sobre •Saudade• Português como Língua de Herança:

https://m.facebook.com/saudadePLHCZ/

Sobre o grupo Lá vem a história!

https://m.facebook.com/groups/177389259480859

Sobre o grupo de mães:

https://m.facebook.com/groups/136165687131131

Parceria :
https://www.facebook.com/readingbag/

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